Contesto, manifesto de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff

No último 11 de março foi concluído, pelo Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos processos judiciais que promovi para discutir a validade do meu impeachment. Por meio de sessão virtual (plenário eletrônico) e, portanto, sem que a minha defesa pudesse apresentar minhas razões em sustentação oral, a maioria dos ministros da Suprema Corte decidiu por manter a decisão isolada que monocraticamente as julgou.

Reitero o que tenho apontado desde 2016: fui vítima de um golpe parlamentar baseado em um impeachment fraudulento, ato inicial de um retrocesso institucional que abriu caminho para a crise da democracia que estamos vivendo.

Diante dessa decisão e da forma pela qual foi tomada, não posso me calar.  Na condição de pessoa que lutou pela democracia e sofreu até no seu próprio corpo as consequências dessa luta, afirmo que o que foi decidido pela Suprema Corte está em desacordo com a nossa Constituição, com a legislação em vigor, com o Regimento Interno do próprio STF e com o princípios que orientam um Estado Democrático de Direito, que desde o golpe do impeachment, vem sendo fragilizado junto com as instituições da República. Continue lendo “Contesto, manifesto de Dilma Rousseff”

Prorrogado prazo de avaliação técnica dos trabalhos inscritos no Edital de Literatura

Da Assessoria | A pedido da equipe da Comissão de Avaliação Técnica do Edital Estevão de Mendonça de Literatura Mato-Grossense, a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) comunica que prorrogou o prazo para avaliação técnica dos trabalhos inscritos no edital. Ao todo, são 123 projetos inscritos, sendo 96 obras literárias e 27 propostas de fomento à leitura.

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Primavera Editorial lança obras da poetisa Florbela Espanca

As obras da poetisa portuguesa Florbela Espanca serão lançadas no Brasil, em versão digital, pela Primavera Editorial. Com edições bimestrais, o primeiro e-book da coleção Bela Flor será Poemas Selecionados, disponível para os leitores a partir de fevereiro. Com um design que ressalta o caráter erótico, cult e desconstruído da escritora, os livros terão prefácio de Larissa Caldin, publisher da Primavera Editorial.

Da Assessoria | Com arrebatamento e linguagem telúrica, a poetisa portuguesa Florbela Espanca construiu uma obra com forte teor confessional: densa, amarga e triste. A expressão poética – via contos, poemas, cartas e sonetos – é marcada por sentimentos como amor, saudade, sofrimento, solidão e morte, mas sempre em busca da felicidade. Com o intuito de disseminar a história e obra de uma escritora excepcional, a Primavera Editorial decidiu lançar a coleção Bela Flor, uma homenagem à poetisa. A partir de março, a editora lançara bimestralmente um e-book com a obra da autora, iniciando com Poemas Selecionados.

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Trump versus Sanders e a implosão do sistema bipartidário nos EUA, por Slavoj Žižek

Os EUA estão adentrando uma guerra civil ideológica na qual não há chão comum ao qual ambas as partes da disputa podem recorrer. Mas não nos enganemos: o verdadeiro conflito não está se dando entre as duas siglas do bipartidarismo estadunidense, mas no próprio interior de cada um dos dois partidos.

Por Slavoj Žižek | Duas semanas atrás, quando promovia seu novo filme na Cidade do México, Harrison Ford disse que “A América perdeu sua liderança moral e credibilidade”.1 Será mesmo? Mas afinal, quando foi que os EUA exerceram liderança moral sobre o mundo? Na gestão Reagan, na gestão Bush? Os Estados Unidos perderam o que nunca tiveram. Ou seja, perderam a ilusão (daí o termo “credibilidade” na colocação do ator) de que detinham essa liderança moral. Com Trump, só se tornou visível aquilo que desde sempre já era verdadeiro. Em 1948, logo no início da Guerra Fria, essa verdade foi formulada com um brutal franqueza por George Kennan:

“Nós [os EUA] detemos 50 por cento da riqueza mundial, mas representamos apenas 6,3 por cento de sua população. Nessa situação, nossa verdadeira tarefa no período que se abre […] é manter essa posição de disparidade. Para fazê-lo, precisamos abrir mão de toda e qualquer sentimentalidade […], devemos parar de pensar em direitos humanos, elevação de padrões de vida e democratização.”2

Aqui revela-se, em termos muito mais claros e honestos, o que Trump efetivamente quer dizer com o slogan “America first!” (“Os EUA em primeiro lugar!”). Por isso não devemos nos chocar ao ler que “a gestão Trump, que assumiu a Presidência prometendo acabar com ‘guerras infindáveis’ está agora adotando armas proibidas em mais de 160 países, e se preparando para utilizá-las no futuro. Bombas de fragmentação e minas terrestres antipessoal, explosivos mortais conhecidos por mutilar e matar civis muito depois de terminados os combates, tornaram-se integrais aos futuros planos de Guerra do Pentágono.”3 Aqueles que se mostram surpresos diante de notícias como essa são simplesmente hipócritas. Em nosso mundo invertido, Donald Trump é considerado inocente (não sofreu impeachment) ao passo que Julian Assange é considerado culpado (por revelar crimes do Estado).

Mas, afinal, o que é que está ocorrendo agora? É verdade que Trump exemplifica a nova figura de um líder político abertamente obsceno que desdenha das regras básicas de decência e de abertura democrática. Quem explicitou a lógica que está por trás das ações de Trump foi Alan Dershowitz (entre outras coisas, o defensor da legalização da tortura), que recentemente “defendeu dentro da própria casa do Senado que se um político pensa que sua reeleição for algo de interesse nacional, quaisquer ações que ele tomar visando tal fim não podem, por definição, ser passíveis de impeachment. ‘E se um presidente tiver feito algo que ele acredita irá ajudá-lo a garantir a eleição, no interesse público, esse não pode ser o tipo de quid pro quo que resulta em impeachment’.”4 O caráter de um poder livre de qualquer controle democrático sério é aqui claramente explicitado.

O que testemunhamos nos debates em curso a respeito do impeachment de Trump é um exemplo da dissolução da substância ética comum compartilhada que torna possível o diálogo polêmico argumentativo. Os EUA estão adentrando uma guerra civil ideológica na qual não há chão comum ao qual ambas as partes da disputa podem recorrer – quanto mais cada lado elabora sua posição, mais fica claro que nenhum diálogo, mesmo que polêmico, é sequer possível. Não nos fascinemos demais pela dinâmica teatral do processo do impeachment (Trump se recusando a cumprimentar Nancy Pelosi, e ela em resposta rasgando uma cópia de seu Discurso sobre o Estado da União): o verdadeiro conflito não está se dando entre as duas siglas do bipartidarismo estadunidense, mas no próprio interior de cada um dos dois partidos

Os EUA estão agora passando de um Estado bi-partidário para um Estado tetra-partidário. Há efetivamente quatro partidos preenchendo o espaço político: Republicanos do establishment, Democratas do establishment, populistas da alt Right e socialistas democráticos. Já há ofertas de coalizões transpondo as linhas partidárias: Joe Biden deu a entender que nomearia como vice-presidente um republicano moderado, ao passo que Steve Bannon chegou a mencionar um par de vezes seu ideal de uma coalizção entre Trump e Sanders. A grande diferença é que, enquanto o populismo de Trump facilmente afirmou sua hegemonia sobre o establishment republicano (aliás uma prova clara, se é que ainda precisava de uma, de que, apesar de toda a barulheira de Bannon contra o “sistema”, o apelo de Trump aos trabalhadores comuns nunca passou de uma mentira), o racha no interior do partido Democrata está ficando cada vez mais forte – não é de se espantar visto que, como já discutimos nesta coluna, a luta entre o establishment Democrata e a ala de Sanders é a única verdadeira disputa política atualmente em curso.

Para usar um pouco de jargão teórico, estamos portanto lidando com dois antagonismos (“contradições”, se quiser): um entre Trump e o establishment liberal (foi disso que tratou o processo do impeachment), e outra entre a ala de Sanders do Partido Democrata e todas as demais. A articulação pelo impeachment de Trump foi uma tentativa desesperada de recuperar a liderança moral e credibilidade dos EUA – um exercício cômico de hipocrisia. É por isso que todo o fervor moral do establishment Democrata não deveria nos enganar: a obscenidade aberta de Trump só explicitou aquilo que sempre esteve lá. O campo de Sanders enxerga isso com clareza: não há caminho de volta, a vida política dos EUA precisa ser radicalmente reinventada.

Mas será que Sanders representa uma verdadeira alternativa, ou, como alegam alguns “esquerdistas radicais”, ele não passaria um social democrata (um tanto moderado) que no final das contas quer mesmo salvar o sistema? A resposta é que esse dilema em si é falso: os socialistas democráticos começaram um movimento de massa de radical redespertar, e o desfecho de movimentos como esses nunca está predestinado. Apenas uma coisa é certa: a pior postura imaginável é aquela adotada por certos “esquerdistas radicais” ocidentais que tendem a desdenhar a classe trabalhadora nos países desenvolvidos como uma mera “aristocracia dos trabalhadores” que vive da exploração do Terceiro Mundo e está enredada em ideologias racistas-chauvinistas. Na visão deles, a única possível mudança radical viria de um “proletariado nômade” (imigrantes, refugiados e os pobres do Terceiro Mundo) entendido como agente revolucionário (eventualmente ligado a alguns intelectuais de classe média empobrecidos nos países desenvolvidos). Mas será que esse diagnóstico para em pé?

É verdade que a situação de hoje é global, mas não nesse sentido maoista simplista de opor nações burguesas a nações proletárias. Os imigrantes são subproletários, sua posição é muito específica: não são explorados no sentido marxista clássico e como tal não estão predestinados a serem agentes de mudança radical. Consequentemente, considero essa escolha “radical” uma escolha suicida para a esquerda. É preciso apoiar Sanders incondicionalmente.

A batalha será cruel, a campanha contra Sanders será muito mais brutal do que a que foi travada contra Corbyn no Reino Unido. Em cima da carta usual de antissemitismo, haverá amplo recurso às cartas de raça e de gênero (a desqualificação de Sanders enquanto homem branco e velho…). Basta lembrarmos da brutalidade do mais recente ataque de Hillary Clinton contra ele. Todas essas cartas serão jogadas com base no medo do socialismo. Os críticos dos socialistas democráticos martelam incessantemente que Trump não poderá ser derrotado a partir de uma plataforma como a de Sanders (por ser demasiadamente esquerdista), e que o objetivo primordial hoje é se livrar de Trump. A isso devemos simplesmente responder que a verdadeira mensagem escondida por trás argumento cínico é a seguinte: “se a escolha for entre Trump e Sanders, nós ‘moderados’ preferimos Trump…

* TEXTO ENVIADO DIRETAMENTE PELO AUTOR PARA SUA COLUNA NO BLOG DA BOITEMPO. A TRADUÇÃO É DE ARTUR RENZO.
Notas
1 Ed Mazza, “Harrison Ford: America Has Lost Its Moral Leadership And Credibility”, HuffPost, 6 fev. 2020.
2 George Kennan, citado em John Pilger, The New Rulers Of the World (Londres, Verso Books 2002), p. 98.
3 John Ismay e Thomas Gibbons-Neff, “160 Nations Ban These Weapons. The U.S. Now Embraces Them”, The New York Times, 7 fev. 2020.
4 Stephen Collinson, “Republican theory for Trump acquittal could unleash unrestrained presidential power”, 30 jan. 2020, CNN.

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O poder de uma Liminar – II, por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | Surge outra questão essa, digamos, de ordem hermenêutica. Se o terceiro tem legitimidade para exercer interinamente o mandato “até que seja empossado o eleito no pleito suplementar”, como decidido, por que ele, sob essa visão, não teria também legitimidade para continuar no cargo? E essa é uma questão de suma gravidade, como veremos.

De outra parte, até que a Mesa do Senado promulgue o decreto de cassação a atual titular permanecerá no cargo. E, dele sendo despejada, ainda tem legitimo direito a recurso no STF. E muito embora as chances de reverter a decisão da instancia máxima da justiça eleitoral sejam as mais longínquas possíveis, restará sempre uma situação esdrúxula, como alma penada, vagando no ar. Precisamente porque, sob o principio da tripartição dos poderes, ora invocado nas Ações e acatado pelo ministro, não poderia ser determinada a posse imediata do terceiro sem que isso se constitua em atropelo das atribuições do Poder Legislativo.

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O Silêncio dos Urbanistas, artigo de José Lemos

Por José Antônio Lemos | Por que os constituintes incluíram na Constituição Federal de 88 um capítulo dedicado à Política Urbana e no artigo 182 determinou que as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes devessem ter um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU)? Por certo não foi para enfeitar as estantes dos gabinetes prefeitos. A própria Constituição responde quando estabelece o plano diretor como “o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana”, política a ser “executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei”, com objetivo de “ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.” Mas faltou expressar que os PDDUs fossem respeitados e implantados. Continue lendo “O Silêncio dos Urbanistas, artigo de José Lemos”

O poder de uma Liminar – I – Artigo de Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos| No ultimo dia 31, o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal e plantonista no recesso dessa Corte, surpreendeu o mundo jurídico e politico ao conceder liminar nas Ações denominadas de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, interpostas pelo PSD e pelo Governador do Estado, autorizando a que o candidato terceiro colocado nas eleições senatoriais de Mato Grosso assuma o mandato da senadora cassada.

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Inscrições para Edital de Literatura se encerram nesta sexta-feira (10)

Da Assessoria | Terminam nesta sexta-feira (10.01) as inscrições para o Edital Estevão de Mendonça de Literatura Mato-grossense. Ao todo, serão premiadas 30 obras, sendo 15 trabalhos de literatura nas categorias prosa, poesia, juvenil, infantil e revelação, e mais 15 projetos de fomento à leitura nas modalidades contador de história, mediador de leitura, formação de mediadores e oficina literária. O investimento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) é de R$ 600 mil.

Para a inscrição, escritores, produtores culturais e artistas deverão enviar os documentos exigidos no edital via correio ou protocolar diretamente na sede da Secel, em Cuiabá. Todos as informações referentes ao edital estão publicadas e disponíveis no site http://www.cultura.mt.gov.br/editais.

Vale lembrar que o prazo de inscrições já foi prorrogado uma vez, a pedido dos gestores municipais, para que os proponentes do interior tivessem mais tempo de finalização dos projetos e esclarecer dúvidas quanto ao edital. Além disso, com a mudança do cronograma de inscrições, foi permitido aos proponentes já inscritos que resgatassem o processo para aprimoramento.

O edital prevê a descentralização dos recursos, de modo que 60% das propostas premiadas deverão ser de escritores, artistas e produtores de municípios do interior do Estado. Os outros 40% serão distribuídos entre os municípios da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio de Leverger).

O resultado final será divulgado em 06 de março de 2020.

Serviço:

A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) está localizada na Avenida José Monteiro de Figueiredo (Lava Pés), 510, bairro Duque de Caxias, Cuiabá-MT, CEP: 78043-300. O horário de funcionamento do protocolo é das 8h às 12h – 14h às 18h. Para mais informações sobre o edital: (65) 3613-9240/9230.

><>O que nos preocupa, incluindo o Meu Peixe, são as datas divulgadas. Serão apenas 50 dias para os jurados lerem, não se sabe quantas obras, e escolher a melhor. A segunda preocupação não tem nada a ver a questão literária, mas com a econômica. A prefeitura de Cuiabá, por exemplo, demorou para liberar os recursos.

IFMT inaugura Galeria Bela Vista ao ar livre  nesta quinta-feira, 12

Da Assessoria | O Campus Cuiabá – Bela Vista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) inaugura, na próxima quinta-feira (12), a Galeria Bela Vista ao Ar Livre. A solenidade de lançamento acontece a partir das 16h no auditório do Campus, na Av. Juliano Costa Marques, s/n, bairro Bela Vista.

A Galeria Bela Vista ao Ar Livre é uma iniciativa do IFMT em parceria com a empresa Maxvinil e se iniciou ainda em setembro, durante a realização da VI Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão (Jenpex Cultural), quando diversos artistas renomados da capital puderam realizar intervenções artísticas nas paredes do Campus.

“A proposta é oferecer um circuito para apreciação, dando a oportunidade para que as escolas nos visitam, possam aprender mais sobre as artes visuais produzidas no nosso Estado”, destacou o Coordenador de Extensão do Campus, Sandro da Silva. Para a Galeria, já estão confirmados os artistas Adriano Figueiredo, Tania Pardo, Ruth Albernaz, Sérgio Venny, Régis Gomes, Marcelo Velasco, Vicente Paulo, Daniela Monteiro, Silvia Turina, Carolina Argenta e Rafael Jonnier. “Estamos abertos para outros artistas que queiram vir aqui deixar suas criações”, destacou Sandro Lucose.

Para o diretor-geral do Campus Cuiabá – Bela Vista, Deiver Teixeira, a arte é fundamental para o processo educativo, trazendo à tona questionamentos relevantes sobre o cotidiano e desenvolvendo o senso crítico dos estudantes. “Nosso Campus deve ser um espaço plural e a arte é fundamental para que essa pluralidade seja expandida. Estamos de portas abertas para que este projeto cresça ainda mais”.

No dia da abertura teremos uma perfomance com pintura Ao Vivo, que será feita pela artista plástica Tânia Pardo. Haverá uma  solenidade de abertura as 18h com a presença de todos  e todas artistas visuais  envolvidos nesta iniciativa.
Informações: 65- 981436305

João Bosquo Cartola lança “Seleta Cuiabana” de poesias em homenagem aos 300 anos da capital

Tendo Cuiabá como Musa, o poeta e jornalista dá um raro e valioso presente poético aos leitores, filhos ou não dessa cidade inspiradora

Por Antonio P. Pacheco | O poeta e jornalista João Bosquo está de volta à cena literária mato-grossense, desta vez, com o lançamento do livro, “Seleta Cuiabana – 50 Poemas que falam de Cuiabá”. O evento acontecerá no dia 10 de dezembro, as 19 horas. O livro, que sai pela Carlini&Caniato Editorial, é o resultado de uma autoprovocação e uma homenagem aos 300 anos da capital mato-grossense.

Com este livro, João Bosquo reúne poemas que traçam um panorama da sua produção poética nas últimas três décadas e meia. Um mergulho emocionante e prazeroso nas visões, impressões e emoções que marcaram o autor, despertadas pelos ambientes díspares e experiências proporcionadas pelo viver na tricentenária Cuiabá.

A obra reúne poemas que trazem em comum referências distintivas de Cuiabá, sua gente, seu clima, sua geografia, sua cultura e suas peculiaridades, suas venturas e desventuras, transformações e resistências.

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João Bosquo lança “Seleta Cuiabana” em homenagem aos 300 anos de Cuiabá

Por Vanessa Moreno | “Seleta Cuiabana – 50 poemas que falam de Cuiabá”, é o livro do jornalista e poeta João Bosquo, que volta à cena literária mato-grossense homenageando os 300 anos da nossa capital. A obra, publicada pela editora Carlini&Caniato Editorial, está com o lançamento marcado para o dia 10 de dezembro, às 19 horas.

É com um compromisso com a emoção que marca o autor e com as referências distintivas de Cuiabá que João Bosquo reúne poemas que traçam um panorama da sua produção poética nas últimas três décadas e meia.

Cada um dos 50 poemas são frutos de um mergulho prazeroso nas visões, impressões e emoções que foram despertadas pelos ambientes da capital cuiabana e pelas experiências de viver aqui. Todos os poemas têm em comum referências como o povo, o clima, a geografia, a cultura, as peculiaridades, as venturas e desventuras, as transformações e resistências de Cuiabá. Exemplo disso é o poema ‘Cuiabá Verde’, um dos poemas que compõem o livro e que descreve de forma simplória e suave as sensações de amanhecer no dia 8 de abril, dia em que se comemora o aniversário da tricentenária cidade.

Cuiabá Verde

Cuiabá amanhece bonita nesta manhã de abril

Manga Bourbon pepita ilumina no alto do céu

Caju, morena, aos cachos, é doce no tacho

– Viva a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá!

Cuiabá, nesta manhã de abril, amanhece bonita

Crianças brincando de esconde-esconde

Nos seus quintais… – Me dá um beijo, morena,

Que essa vontade de amar está à solta no coração

Cuiabá, em abril, amanhece demais de folienta,

Passarinho passeando pela paisagem da praça

Beija-flor beira a pétala sutil como ave

Aventureira lá e cá nas páginas de um jardim

Cuiabá, morena, é verde e gostosa

Quando chove até garoa e faz bastante calor

Corpo na rede e preguiça que hoje é feriado…

– Viva a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá!​

Esta é a sexta obra já publicada do autor cuiabano. João Bosquo também produziu os títulos: “Imitações de Soneto – ou De Falar Pantanal” (2016), uma reunião de 105 poemas, todos com 14 versos; “Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol” (2006), ambos foram publicados pelo sistema de venda antecipada, que garante ao leitor e admirador da poesia de Bosquo, além do livro em lançamento, exemplares de obras anteriores do poeta como “prêmio” extra.

O primeiro livro de Bosquo foi o “Abaixo-Assinado”, uma parceria com Luiz Edson Fachin, uma edição bancada pelos próprios autores e publicada em 1977, em Curitiba. Pelas Edições Namarra, João Bosquo publicou “Sinais Antigos” (1984) e “Outros Poemas” (1985).

Ao longo de sua carreira de poeta, João Bosquo participou ainda do Programa Poetas Vivos da Casa da Cultura de Cuiabá. Integrou as seguintes antologias: “Abertura”, – Edição da UPES – Curitiba – 1976; “A Nova Poesia de Mato Grosso” – Edição do jornal “Fim de Semana” e UFMT – Cuiabá – 1986; “Panorama da Atual Poesia Cuiabana”– Edição do Departamento de Letras da UFMT (CLCH) – Cuiabá – 1986, e “Primeira Antologia dos Poetas Livres nas Praças Cuiabanas”, – Edição patrocinada pelo Fundo Estadual de Fomento à Cultura de Mato Grosso – 2005.

Como jornalista João Bosquo trabalhou nos jornais impressos “O Estado de Mato Grosso”, “A Gazeta” e “Diário de Cuiabá”; editou o semanário de “A Notícia”, de Cáceres, e é ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso.

O lançamento da “Seleta Cuiabana – 50 poemas que falam de Cuiabá” acontecerá na Livraria Janina, que está localizada no piso térreo do Shopping Pantanal.

Bosco Brasil assina o roteiro da série ‘Dependentes’ que estreia hoje no canal Futura

Da Assessoria | Autor premiado, Bosco Brasil assina o roteiro de “Dependentes”, série que estreia no canal Futura nesta quarta-feira, dia 27, com direção de Marco Altberg. Tema pouco debatido, a dependência química será discutida a partir dos conflitos vividos não só por quem é dependente, mas por quem convive com ele: o codependente. A história de personagens de cinco famílias que frequentam um grupo de ajuda se entrelaça. Bosco quis mostrar ainda as reações emocionais daqueles que convivem diretamente com quem é dependente. “É uma história de relações humanas, de sentimentos. Pouco se fala de quem convive com os dependentes, das pessoas que estão ao lado do adicto e que luta por ela”, explica Bosco. A série tem 13 episódios de 26 minutos.

O AUTOR

Bosco Brasil é autor de teatro, rádio, cinema e TV com mais de 20 anos de experiência, tendo escrito para todos os gêneros e formatos. Iniciou sua carreira na TV Cultura, integrando o time de roteiristas do Castelo Ra-tim-bum (entre 1990 e 1994) e, desde então, produziu diversas obras para TV, entre elas: Pupilas do Senhor Reitor (1994/SBT), O Amor está no Ar (1997/ Globo), Anjo Mau (1998/Globo), Torre de Babel (1998/Globo), Malhação (2000/Globo), As Filhas da Mãe (2001/Globo), Coração de Estudante (2002/Globo), Carga Pesada (2004/Globo), Essas Mulheres (2005/Record), Bicho do Mato (2006/Record), Tempos Modernos (2010/Globo), Noite de Arrepiar (2013/Record) e Casamento Blindado (2013/Record). Continue lendo “Bosco Brasil assina o roteiro da série ‘Dependentes’ que estreia hoje no canal Futura”

Um artigo de Mário Augusto Jakobskind, de 2005, mas sempre atual: Rede Globo, o maior partido político do Brasil

Por Mário Augusto Jakobskind | A TV Globo, das Organizações Roberto Marinho, a emissora de maior audiência no Brasil, é considerada por vários setores de esquerda como um verdadeiro partido político. Dona Lily Marinho, a viúva do patriarca do grupo, recentemente falecido, deixou claro em um livro que o seu marido elegeu Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) e posteriormente o retirou da Presidência, o que não está longe da verdade.

A TV Globo, de fato, em 1989, na primeira eleição direta para a Presidência da República, teve participação intensa na campanha. Roberto Marinho, o empresário proprietário do império de comunicação, apostou em Fernando Collor de Mello, por entender que naquele momento o ex-governador do Estado nordestino de Alagoas seria alternativa às candidaturas do governador do Estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, ou de Luiz Inácio Lula da Silva, que apareciam muito bem cotados nas pesquisas de opinião pública. Na concepção de Roberto Marinho, a eleição de Brizola ou Lula poderia criar problemas para o seu grupo e outros setores empresariais.

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Origens dos EUA, o Coringa e o ocaso da supremacia branca

A consciência política do povo já superou o mito da supremacia branca, sua lealdade aos opressores e ao capital internacional e suas demais mentiras

 

Por Franklin Frederick |

«Nas raízes do capitalismo encontram-se não apenas a escravidão e a supremacia branca, mas também o ‘ethos’ do gangster.»   Gerald Horne

O filme ‘Coringa’ apresenta um fenômeno contemporâneo presente em vários países, mas que só pode ser compreendido em sua complexidade através da história das origens dos EUA.

O historiador Afro-Americano Gerald Horne argumenta no livro ‘The Counter- Revolution of 1776: Slave Resistance and the origins of the United States of America’ que o movimento pela independência dos EUA nasceu, por um lado, do receio das classes ricas da colônia de um crescente movimento abolicionista na metrópole, a Inglaterra, que poderia acabar com a base de sua riqueza – os escravos. Por outro lado, a Inglaterra também impedia o avanço dos colonos para o oeste, que deveria permanecer como território indígena. Para Horne, a guerra pela independência dos EUA  foi em parte uma ‘contra-revolução’ liderada pelos ‘pais fundadores’ com o objetivo de preservar o seu direito de escravizar outros povos, sobretudo africanos, e de continuar a expandir a jovem nação para o oeste, roubando mais terras dos povos indígenas onde implantar mais trabalho escravo.

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Rotatória do Círculo Militar, por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Feliz a cidade com o dinamismo e a pujança de Cuiabá, viçosa, rica em oportunidades de desenvolvimento e de elevação da qualidade de vida de sua população. Mas, também em problemas. São os tais ônus e bônus da vitalidade urbana. As cidades vivas geram aumentos de demandas em todas as áreas, e muito especialmente na mobilidade urbana, onde cresce o número de pessoas e de veículos nas ruas, surgem novos bairros e polos geradores de tráfego, exigindo de seus administradores providências visando garantir a fluidez indispensável com segurança e conforto. Como uma criança saudável em crescimento exige dos pais, no tempo certo, roupas, sapatos, e tudo o mais em tamanhos crescentes, assim também uma cidade em desenvolvimento.

É o caso de Cuiabá que, sem uma estrutura técnica permanente para o planejamento urbano contínuo, tem sua prefeitura sempre correndo atrás, buscando superar os gargalos urbanísticos surgidos a cada momento, hoje com obras de vulto como os viadutos na Beira-Rio e na Archimedes Lima, passarela na Rodoviária, renovação do sistema semafórico, recapeamento asfáltico e mesmo obras menores, como a ligação da travessa Monsenhor Trebaure à Marechal Deodoro. Agora a discussão é o colapso funcional da rotatória do Círculo Militar, causado pelo incremento natural do trânsito de veículos acrescido pela instalação de um grande polo gerador de tráfego nas proximidades.

Quanto à rotatória do Círculo Militar, após o aparente insucesso da solução semafórica, o prefeito acena com a construção de uma trincheira no local, o que seria uma solução emergencial importante. Porém, o carro é um bicho danado. Se um conflito pontual é resolvido, de imediato ele volta ao local até atingir de novo os limites do desconforto e, logo, novo colapso. A trincheira ou, no caso, um viaduto estaiado, é uma solução emergencial necessária como uma ponte safena em um coração com problema circulatório. Melhor que tratar a doença de um paciente é tratar o paciente doente, e com a cidade deve ser igual. Ainda que as soluções emergenciais sejam necessárias, o ideal é tratar a cidade com problemas, antecipando-se a eles.

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Tarifas de companhias privadas são mais caras, ou alguém aí tinha alguma dúvida

Da Assessoria | As tarifas de água adotadas por companhias privadas são mais caras quando comparadas aos valores praticados por serviços municipais e companhias estaduais de saneamento. A afirmação faz parte de estudo inédito da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), publicado nesta segunda-feira (18/11), que apresenta o ranking de municípios submetidos às maiores tarifas.

As dez tarifas de água mais caras do país, na categoria residencial por 10 m3, vão de R$ 94,90 a R$ 61,00, e são cobradas em 328 municípios, dos 4.187 apurados pelo estudo da Assemae.

Conforme atesta o estudo, os cinco municípios que possuem as tarifas de água mais caras do Brasil são atendidos pela mesma companhia privada no Rio de Janeiro. Na categoria residencial, a tarifa mais cara do Brasil é de R$ 94,90 por 10m³/mês, servindo quatro municípios, e o quinto município tem a segunda maior tarifa, no valor de R$ 87,30.

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Jovens do Programa Siminina serão recebidas no Hotel Deville Prime Cuiabá

Da Assessoria | Em comemoração ao Dia do Hoteleiro, no próximo sábado, dia 9 de novembro, a partir das 9h, o Hotel Deville Prime Cuiabá receberá um grupo de convidadas especiais para um café da manhã. Em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Mato Grosso (ABIH MT), 20 meninas do projeto social Siminina, desenvolvido pela Prefeitura de Cuiabá, terão um sábado bem diferente.

Além do café da manhã, elas farão uma visita técnica ao hotel. “Será um dia especial para essas meninas de comunidades carentes de Cuiabá. Elas terão a chance de estar em um ambiente diferente da rotina delas, ampliando os horizontes, conhecendo oportunidades futuras de carreira e o local onde muitas mulheres que viajam a trabalho ou turismo ficam hospedadas”, conta Gerson Honório da Silva, gerente geral do Deville Prime Cuiabá.

O projeto da Prefeitura prepara as meninas para um futuro em que elas sejam as protagonistas de suas histórias, ajudando a desenvolver novas habilidades comunicativas a partir da valorização da beleza particular de cada uma. As atividades propostas visam trabalhar a vocação profissional, o despertar dos dons e o resgate de alguns valores.

O Planejamento da Cidade, por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Em meados do mês passado foram divulgadas duas importantes e ao mesmo tempo preocupantes notícias sobre o planejamento da cidade, mais especificamente sobre o planejamento urbano em Cuiabá. A primeira, foi o lançamento de um Edital da prefeitura de Cuiabá para “Elaboração e Revisão”(?) de seu Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), e a outra dando conta que a prefeitura prepara uma reforma administrativa na qual se discute a extinção do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano (IPDU).

Apesar do objetivo dúbio de “Elaboração e Revisão”, o Edital traz de capa o necessário e alvissareiro resgate do conceito “urbano”, que é a especificação correta à exigência da Constituição Federal sobre os Planos Diretores para as cidades acima de 20 mil habitantes. Não mais o genérico e indefinido conceito do “planejamento estratégico” que vinha sendo usado pela prefeitura. Entretanto, ao definir o prazo de 7 meses para a conclusão do trabalho, incluindo sua “legalização”, que imagino ser sua discussão e aprovação pela Câmara e posterior sanção pelo prefeito, penso que os elaboradores do certame persistem na equivocada visão de Cuiabá como uma cidade ainda pequena, estagnada, cujo plano urbano possa ser produzido em prazo tão curto como o estabelecido, em especial após mais de uma década do esvaziamento da estrutura municipal dedicada ao planejamento urbano.

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Meio Século de Internet, por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Nesta terça-feira comemoramos os 50 anos de uma das maiores revoluções conseguidas pela humanidade, meio século a partir do dia 29 de outubro de 1969 quando se deu a primeira transmissão de dados entre dois computadores remotos, considerada como o primeiro e-mail na face da Terra. Era para ser a palavra LOGIN, mas no meio da transmissão deu “pau” no computador receptor e só foi LO, um pedaço da palavra que se pretendia mandar. Mesmo assim, um dos maiores sucessos da história do homem. Nasceu a Internet, hoje parte indissociável da vida dos homens, impossível pensar o mundo atual sem ela.

Lembro lá pela década de sessenta que os jornais “de fora”, em geral do Rio de Janeiro, só chegavam a Cuiabá ao final das tardes pela antiga VASP e eram vendidos em uma única papelaria que ficava na Praça da República. A fila começava a se formar cedo e quando chegavam os jornais era aquele empurra-empurra para cada um pegar o seu. Nas segundas-feiras a afluência era muito maior, pois os jornais traziam um caderno esportivo com as reportagens sobre os jogos do domingo, dia anterior, com as fotos dos lances dos nossos times, até então só imaginados pela narração dos “speakers” e comentaristas. Só no mês seguinte iríamos ver em filmes trechos do jogo no “Canal 100”, noticioso que antecedia às sessões do Cine Teatro Cuiabá.

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Do respeitado site ConJur: Em carta ao STF, juízes europeus acusam Moro de parcialidade

Conjur | Três ex-presidentes de cortes superiores de Justiça na Europa enviaram uma carta aberta aos magistrados brasileiros do Supremo Tribunal Federal.

No texto, o ex-presidente do Conselho de Estado da Espanha de 1985 a 1991, Tomás Quadra-Salcedo, e dois ex-presidentes da Corte Constitucional da Itália Franco Gallo (2013) e Giuseppe Tesauro (2014) pedem que os colegas brasileiros reflitam sobre “os vícios dos processos iniciados contra Lula”.

Eles também citam as revelações do site The Intercept Brasil sobre as relações promíscuas entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa da “lava jato”.

“Essas revelações confirmaram que a operação “lava jato”, sob o pretexto de combater a corrupção, se transformou em um partido político, contribuindo para a destituição de Dilma Rousseff em 2016, bem como para a perseguição política contra ao ex-presidente Lula. Essa perseguição funcionou, pois permitiu a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República”, diz o texto.

Leia a íntegra da carta:

Como ex-presidentes de Cortes Superiores de Justiça, gostaríamos de chamar à reflexão os nossos colegas magistrados do Supremo Tribunal Federal e, mais amplamente, a opinião pública deste país para os vícios dos processos iniciados contra Lula.Como já foi mencionado por muitos colegas, brasileiros e de outros países do mundo, as revelações do jornalista Glenn Greenwald e sua equipe do site de informações The Intercept, em parceria com os jornais Folha de S. Paulo e El País, a revista Veja e outras mídias, reforçaram a natureza política da acusação contra Lula. Elas também confirmaram aos olhos do mundo, como sempre foi afirmado por Lula e seus advogados, o caráter tendencioso do ex-juiz Moro e do ministério público, e, como resultado, a ausência de um julgamento justo e independente contra o ex-presidente.

Essas revelações confirmaram que a Operação Lava Jato, sob o pretexto de combater a corrupção, se transformou em um partido político, contribuindo para a destituição de Dilma Rousseff em 2016, bem como para a perseguição política contra ao ex-presidente Lula. Essa perseguição funcionou, pois permitiu a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República.

Numa época em que as democracias são postas à prova pela ascensão da extrema direita, e especialmente no Brasil, a justiça deve ser erguida como um baluarte contra o autoritarismo e a arbitrariedade. No entanto, devido aos procedimentos ilegais e imorais adotados contra o ex-presidente Lula, a justiça brasileira hoje está passando por uma verdadeira crise de credibilidade. Portanto, é essencial que os juízes da Suprema Corte exerçam plenamente seu papel de garantidores do respeito à Constituição e ponham fim às injustiças cometidas pelos promotores e pelo ex-juiz Sergio Moro. Enquanto o ex-presidente Lula não tiver sua inocência e sua liberdade plena restabelecida, a justiça brasileira não recuperará credibilidade. A falta de confiança no sistema de justiça brasileiro está corroendo o estado de direito e a democracia, com repercussões para todos os juízes do mundo.”

Tomás Quadra-Salcedo
Franco Gallo
Giuseppe Tesauro

Fonte: ConJur – Em carta ao STF, juízes europeus acusam Moro de parcialidade

><> Daí o nosso medo (meu e de Meu Peixe) de alguns advogados cuiabanos, que juram de pés juntos que o processo do tríplex está correto.

 

Concerto de encerramento acontece hoje no Palácio da Instrução dentro do Ciclo CirandaMundo MasterClass

Da Assessoria | O Ciclo CirandaMundo MasterClass encerra nesta terça-feira (22.10), às 20h, no Palácio da Instrução, com um concerto especial aberto ao público, que traz no repertório, peças de W. A. Mozart, J. S. Bach, Roberto Victorio e Silvio Ferraz. Para as apresentações, além dos professores convidados, o concerto contará ainda com a violinista venezuelana Yndira Villarroel, a clarinetista Jessica Gubert e o compositor Roberto Victorio.

Para o concerto, várias formações, quintetos, quartetos e orquestra de câmara com a participação dos professores. “É um privilégio muito grande poder prestigiar profissionais tão importantes para a música de concerto. Estou muito feliz”, comemora Yndira Villarroel.

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“A política que quase me mata”, narra José Antônio Lemos

José Antônio Lemos | Vim para Cuiabá para nascer aqui e ser um cuiabano de chapa e, se Deus quiser, também de cruz. Meu pai trabalhava no interior do antigo Mato Grosso íntegro e quando estava chegando a hora do meu nascimento providenciou nossa vinda para cá onde era radicada a família de minha mãe, fazendo a vontade dela, uma cuiabana de chapa e cruz de verdade. Pouco tempo depois, tendo tudo corrido bem e terminando as férias do meu pai, voltamos para a cidade onde morávamos, uma pequena, mas simpática cidade, onde ganhei meu primeiro irmão.

Morávamos em uma das ruas principais e tivemos a sorte de na frente de casa morar o único médico do local. Figura proeminente na cidade e na região, começava a se embrenhar na política. Parece que depois veio a ser prefeito da cidade por uma ou duas vezes. Figura simpática e médico competente, logo ficou amigo daqueles vizinhos, pais de primeira viagem aos quais, solícito, sempre atendia, atravessando a rua a qualquer espirro do pimpolho. Ocorre que naquele ano havia eleição para governador, concorrendo Fernando Correa e Filinto Muller, e o doutor era ferrenho correligionário do Filinto. As eleições naquela época eram empolgantes entre UDN e PSD, com eleitores empenhados pela vitória de seus candidatos. Apesar de todos estarem envolvidos nada aconteceu de problemático, ao menos naquelas eleições na cidade onde iniciava minha vida. Mas quase. Continue lendo ““A política que quase me mata”, narra José Antônio Lemos”

O Desafio do Secretário de Cultura, por Sebastião Carlos

Allan Kardec está diante de um grande desafio. O Secretário precisará de apoio não só na Assembleia, mas no governo e na comunidade dos que lidam com a cultura. Oxalá, tenha êxito.

Por Sebastião Carlos | Em entrevista recente, o Secretário Estadual de Cultura de Mato Grosso, Allan Kardec, toca em ponto sensível não apenas da administração da pasta que dirige mas particularmente da política cultural do Estado. Diga-se, porém, que não se trata de uma situação atual. Ao lado da permanente e insolúvel questão da restrita dotação orçamentária, permeia a má aplicação desses escassos recursos. Allan Kardec trata da destinação de não poucos recursos aos eventos festivos. Está claro que os problemas da administração cultural não se resumem a esta questão exclusiva, mas nela fiquemos por enquanto.

Desde sempre considerei que, com pouquíssimas exceções, a alocação de recursos com esses objetivos trata-se de uma imperdoável disfuncionalidade. E não estou me referindo ainda ao aspecto de ordem administrativo e penal que aí subsiste, como as recorrentes não prestação de contas, da não realização conforme garantido no projeto aprovado e, o que é mais grave, a pura e simples malversação e desvio do recurso. Tudo isso já aconteceu em várias ocasiões. Mas vamos ao que disse o Secretário, em declaração que recebi com satisfação, de que se posiciona contra essa prática tradicional. Embora faça a ressalva de que o investimento em aniversários de municípios, em festa de peão de boiadeiro, de santos, em carnavais na época ou fora de época etc, gera emprego e renda graças a lotação dos hotéis e gastos gerais dos turistas no comércio local. Refere-se ao fato de que a maioria desses recursos é proveniente das chamadas emendas impositivas a que os parlamentares têm direito. Para enfrentar essa prática, de indiscutível fundo eleitoreiro, muito objetivamente se propõe a “sensibilizar os parlamentares”, apresentando-lhes “os programas permanentes de Cultura que o Estado os tem como prioridade.” Será o suficiente? Continue lendo “O Desafio do Secretário de Cultura, por Sebastião Carlos”

AFábrica, artigo de José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | No artigo anterior tratei da urgência da verticalização da economia em Mato Grosso e da necessidade do estado tratar deste assunto de forma planejada a partir de cartas da rede urbana estadual indicativas das vantagens locacionais, promovendo o balanceamento regional dos investimentos e sua otimização, tanto em retorno para o investidor quanto em benefícios para o cidadão. A matéria não pode mais ficar só ao sabor do feeling político, ou de interesses locais eventualmente preponderantes. Como exemplo a não repetir, lembro uma história que assisti em parte. Para manter o foco cito só os nomes de pessoas, lugares ou órgãos indispensáveis à compreensão do texto.

     Foi no tempo da primeira administração Dante de Oliveira frente à prefeitura de Cuiabá. Eu coordenava o Grupo de Trabalho do Plano Diretor de Cuiabá (GT-PDU), antecessor direto do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (IPDU),  e subia a escadaria do Palácio Alencastro quando notei dois senhores de terno descendo apressados a mesma escadaria, um deles meio gordinho, lenço à mão, gravata afrouxada, suando muito e vermelho. Eram mais ou menos 3 horas da tarde, um calor daqueles de rachar e o senhor dava claros sinais de que passava mal. Perguntei a eles se não queriam dar uma parada ali no terceiro andar onde ficava o GT-PDU para se refrescar. Aceitaram. Entramos na sala das pranchetas e lhes ofereci água. Já restabelecendo, começamos a conversar. Desciam de uma das secretarias da prefeitura onde tentaram sem sucesso uma audiência com o secretário que estava em uma reunião cujo fim teriam que aguardar, segundo a recepcionista, para então ver se seriam atendidos naquele mesmo dia. Antes estiveram no gabinete do prefeito que não se encontrava, de onde então foram encaminhados àquela secretaria. Representavam uma grande empresa que queria se instalar em Cuiabá.  Certamente houve algum problema de comunicação dentro da prefeitura pois o prefeito e o próprio secretário sempre foram muito empenhados nesses assuntos.  Continue lendo “AFábrica, artigo de José Antônio Lemos”

Cuiabá ganha festival de artes e cultura no Centro Histórico

Projeções fotográficas, intervenções urbanas, sarau e feira movimentam a Praça da Mandioca durante quatro dias de programação
Allan House e Mississipi Jr – Foto: Divulgação

Da Assessoria | Lançando luz sob o potencial das cidades históricas brasileiras, a Casa do Centro presenteia Cuiabá com um inédiLançando luz sob o potencial das cidades históricas brasileiras, a Casa do Centro presenteia Cuiabá com um inédito festival de artes visuais e cultura popular. Em comemoração ao tricentenário da capital, uma programação multicultural e gratuita tomará

Em meio a ruelas e casarões cuiabanos, a 1ª edição do “Festival Trezentos – É Com Mandioca” convida o público a prestigiar a produção fotográfica da terra para além das galerias. Projeções, performances e intervenções urbanas lançam reflexões atuais sobre invisibilidade social, diversidade e o meio ambiente. 

O evento contará com Feira de Gastronomia, Artesanato, Sustentabilidade e Moda durante os quatro dias com empreendedores da economia criativa da região. 

Somam às artes visuais uma diversidade de expressões artísticas, como poesia de rua, música autoral e apresentações de dança e teatro individuais e coletivas. Oficinas e roda de conversa propõem espaços de formação e trocas sobre a arte de fotografar.  Continue lendo “Cuiabá ganha festival de artes e cultura no Centro Histórico”

Festival cultural na Praça da Mandioca

Vai rolar quatro dias de programação multicultural e gratuita na Praça da Mandioca, com projeções fotográficas, feira de moda e gastronomia, sarau de música, poesia e performances teatrais.

O “Festival 300 – Artes Visuais e Cultura Popular” é realizado pela Casa do Centro, a partir da próxima quarta-feira (16). O projeto foi viabilizado pelo Edital do Fundo Municipal de Apoio e Estímulo à Cultura 2019.

Pavimentação transforma a realidade de moradores do Residencial Ana Maria

Com a ordem de serviço assinada pelo prefeito Emanuel Pinheiro em março, a obra está em estágio avançado

 

Foto: Divulgação

Por Bruno Vicente, Da Assessoria | Cerca de 260 imóveis valorizados e mais de 1.500 moradores desfrutando de uma melhor qualidade de vida. Essa é a transformação que o benefício da pavimentação está proporcionando ao Residencial Ana Maria. Incluído no programa Minha Rua Asfaltada, a comunidade vê as vias, que antes eram tomadas pela poeira e lama, serem totalmente cobertas por aproximadamente 2,5 quilômetros de massa asfáltica.

Com a ordem de serviço assinada pelo prefeito Emanuel Pinheiro em março deste ano, a obra está em estágio avançado. Serviços como a de construção da rede drenagem pluvial, terraplanagem e imprimação já foram concluídos e, neste momento, os operários atuam na fase de pavimentação. Das oito ruas estabelecidas no projeto, seis já estão com esse trabalho finalizado. A obra abrange ainda a edificação de meio-fio e calçadas.

“Estamos satisfeitos com o andamento da obra e com a qualidade na execução. Essa é uma exigência nossa. A população sonha por anos com a chegada do pavimento. Então, além de realizar esse sonho, temos o dever de garantir que o trabalho seja eficiente. Na nossa gestão, compromisso assumido é compromisso cumprido e é isso que estamos vendo acontecer no Residencial Ana Maria”, salienta o prefeito Emanuel Pinheiro.

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Jovem escritor lança livro independente de poesias

Da Assessoria | A selfie não sou eu.

Sou eu de uma face outra

Sou de um modo que não atinge

A

   i

    n

       su

           s

            t

            e

               n

             tá

                 v

               e

                 l

                    Le

  ve

       za

           De ser a não

                                                             Hiper-realidade

                                                                                          Ser só, apenas ser

           quem

                                                           tanto

                                                                                                                   persegue

“Hiper-eu” é uma das poesias reunidas no primeiro trabalho literário do jovem escritor Lucas Lemos, “Nossa Alegria Triste”. O livro será lançado no dia 15 de outubro, às 20h, em noite cultural no Instituto de Linguagens (IL), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT-Cuiabá), com iniciativa independente e o objetivo promover a literatura e a arte em Mato Grosso.

A obra traz reflexões sobre o digital, o meio urbano e o cenário da política atual, com poemas mesclados a fotografias do autor, cliques do fotógrafo Fred Gustavos, ilustrações de Marcella Gaioto, e capa assinada pela também estreante Carla Renck, acadêmicas de Letras na UFMT.

Lançar um livro em uma editora de renome não é tarefa fácil no Brasil. Inúmeras proposições de escritores de todo o país chegam à caixa de e-mail de grandes editores todos os dias, mas somente algumas obras ganham o passe para a publicação. “Hoje em dia, acontece de lançarem pessoas já consagradas, ou mesmo conhecidas em outras áreas de atuação da cultura, como, por exemplo, as biografias de autores, atores e atrizes famosos. Falta um pouco de espaço para o escritor, de forma que a publicação independente é uma opção. Nada fácil, mas, que tem sido amplamente explorada e abre caminho para quem, como eu, ainda está começando”, afirma o autor.

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Verticalização e Planejamento Regional, por José Lemos

 Por José Antônio Lemos | Escrevo sobre a verticalização enquanto processo de transformação da produção primária em outros produtos agregando-lhe valor econômico. Por exemplo, o algodão rende mais se é transformado em roupa. Mas para chegar à roupa tem que virar fio, depois tecido, para só então se transformar em uma peça de vestuário. O trabalho, braçal ou mecânico, artesanal, intelectual ou industrial é o fator que agrega valor a cada passo desta transformação. Poderia ser um automóvel, sofisticado, mas ainda assim resultado da combinação de muitos produtos primários transformados, alguns com transformação tão elaborada a ponto de não nos lembrar que a origem destas maravilhas está lá na produção primária, a qual nem se reconhece o devido valor.

     Quanto mais o produto primário é processado mais valor é agregado, exigindo, porém a cada passo mais tecnologia, preparo de mão de obra, acessibilidade a bens e serviços complementares e outros quesitos, gerando em troca progressivamente mais renda, melhores salários e empregos de maior qualidade. Assim, a verticalização das economias não é nivelada como se todos os processos de transformação tivessem o mesmo nível de sofisticação e exigências, e nem acontece em um plano como se todos os pontos do espaço regional atendessem a todos os requisitos de cada etapa de seus processos de transformação. Ao contrário, a verticalização acontece em espaços urbanos hierarquizados funcionalmente e organizados nas redes de cidades, de acordo com a qualidade de suas infraestruturas e de suas instalações produtoras de bens e serviços, bem como, da disponibilidade de mão de obra qualificada, energia, transportes, comunicações, centros de ensino e pesquisa, localização estratégica etc. A verticalização é urbana.

     Assim, seria como se tivéssemos duas escadinhas frente a frente: de um lado a dos requisitos dos processos de transformação e de outro a da disponibilidade de infraestrutura urbana, ou das cidades. Os processos de verticalização só se instalam nos degraus da hierarquização urbana compatíveis com seus requisitos. Só que a economia não fica esperando que este ou aquele estado, esta ou aquela cidade se prepare para receber os processos de verticalização. Se tiver condições tudo bem, se não, procura outro lugar com vantagens comparativas, ainda que em outro estado ou país. E é o que está acontecendo contra Mato Grosso. É urgente que o estado desenvolva um processo de Planejamento Regional capaz de caracterizar sua rede urbana, identificando seus principais polos nos diversos níveis, de forma a reforçá-los estruturalmente para o desempenho das tarefas de recepção aos investimentos industriais adequados a cada caso. 

     Verticalizar sua economia é o grande desafio de Mato Grosso pois ela está acontecendo fora do estado em um processo inaceitável de exportação da renda e dos empregos de maior qualidade em prejuízo dos mato-grossenses. Estamos perdendo até na manteiga. Contudo, bons ventos sopram. Nos últimos dias aconteceu a volta do gás boliviano, a reativação da Termelétrica e a instalação de uma grande usina de biodiesel em Cuiabá. Mas é preciso mais, ampliar a rede de zonas industriais nos polos do estado apoiadas por um sistema sólido e honesto de estímulos fiscais, reviver a ecovia do Paraguai, internacionalizar de fato o Marechal Rondon, aproximar a ferrovia de todas as regiões do estado reforçando sua espinha-dorsal, a BR-163, e em especial conectando com os trilhos a Região Metropolitana de Cuiabá, sem dúvida a cabeça do sistema urbano de Mato Grosso. Repetindo o artigo anterior, a demora é irrecuperável e condena Mato Grosso a eterno celeiro e seu povo a cidadãos de segunda classe.     

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro licenciado do CAU/MT, acadêmico da AAU/MT e professor aposentado.

A coleção de instantes de Lucinda Persona

Por Eduardo Mahon | O lançamento de um novo livro é desafiador para qualquer escritor que tome a literatura como propósito. A vertigem ganha contornos dramáticos quando o autor já alcançou o reconhecimento público em vida. Admiradores e críticos sempre se pautarão pelas impressões sedimentadas diante do conforto intelectual em palmilhar um estilo conhecido, explorado, amplamente comentado. Por isso mesmo, não raras vezes, os autores fecham-se em preciosismos estéticos, patrulham-se por detalhes insignificantes, flagelam-se com duras autocríticas e, no mais das vezes, evitam novos desafios. Não é o caso de Lucinda Persona, felizmente. A autora desafia a confortável consagração que amealhou nos 25 anos de carreira literária, com prêmios nacionais e regionais, trabalhos acadêmicos sobre a obra poética e centenas de resenhas favoráveis. Lançou “O passo do instante” e mostrou que o invulgar fôlego literário está longe de acabar.

 

Lucinda começa a carreira de forma inaudita. Ao contrário do que costuma divulgar em livros e palestras, “Por Imenso Gosto” (1995) não foi a primeira publicação da carreira como escritora. Em agosto de 1987, o programa Poetas Vivos lançou o libreto “Contratempo”, assinado pela autora. Articulado por João Bosquo Cartola, esse projeto foi patrocinado pela Casa de Cultura, estrutura antecedente à respectiva Secretaria Municipal. Na época, a entidade era coordenada por Terezinha de Jesus Arruda, uma das maiores agitadoras culturais do Estado. Lucinda integrou essa interessante coleção que se compunha de um pequeno encarte de oito páginas no formato de cartão-postal, podendo ser enviado por correio, estratégia de circulação de baixo custo para as circunstâncias editoriais da época.

Bosquo lançou 11 números do encarte, publicando os seguintes autores: Antonio de Pádua e Silva, com “Cuiabá! Cuiabá! Cuiabá!” em abril de 1987, Maria das Graças Campos, com “Os poemas de amor que não perdi” em conjunto com Wilson Garcia de Alencar com “Meninos das praças”, Lucinda Nogueira Persona com “Contratempo”, Cristóvão Miranda Uchôa com “Raio X”, Rômulo Carvalho Netto com “América”, Mário Cézar Leite com “Erótico”, Manoel Rodrigues da Costa com “O pássaro sertanejo”, Etevaldo de Almeida com “Ave Palavra”, Amauri Lobo com “Memória Fragmentária”, Maria de Lourdes com “Lado a lado” e, finalmente, João Bosquo o último publicado com “Da poesia”, na edição de abril de 1988.

Desde então, Lucinda Persona integrou-se no cenário cultural, somando talento à nova geração que nascia da efervescência ligada à Universidade Federal de Mato Grosso. Ainda que não estivesse muito próxima da autointitulada Geração Coxipó – estudantes da UFMT que tentavam uma alternativa para a cultura centralizadora e elitista da capital – Persona foi, desde o início, reconhecida pelo heterogêneo grupo como uma espécie de “musa”, eleita no lugar de Tereza Albuês que passou a morar em Nova Iorque e faleceu prematuramente em 2005. Por isso mesmo, Wander Antunes a convocava a participar da Revista Vôte! e da Estação Leitura e, depois, Juliano Moreno também a quis na equipe de Fagulha e no projeto Palavra Viva. A presença de Lucinda Persona (e de Ricardo Guilherme Dicke) passou a dar lastro às publicações, uma espécie de selo de qualidade e de prestígio.

Na década de 90, nossa musa apareceu na capa de um importante publicação da Editora Entrelinhas “Fragmentos da Alma Mato-grossense”, no topo de uma nova geração que estava representada conjuntamente por Ivens Cuiabano Scaff e R.G. Dicke. No topo, a trinca pretérita “Manoel de Barros, Silva Freire e Wlademir Dias-Pino. Na virada dos anos 2000, integrou a equipe da obra “Na Margem Esquerda do Rio”, organizada por Juliano Moreno e Mário Cézar Silva Leite. Na orelha do livro, Icleia Rodrigues de Lima e Gomes usa-se dos conceitos antropológicos de Maffesoli para perceber o sentido “tribal” daquele novo grupo que gravitava em torno de uma pauta estética modernizadora e um conteúdo político defensivista da ótica regional. Consolidava-se, com “Na Margem Esquerda do Rio” um coletivo literário que estava rascunhado desde meados da década de 80.

Lucinda Persona foi uma das muitas intelectuais forjadas no cadinho da UFMT que se constituiu o grande eixo formador da intelectualidade mato-grossense, a partir dos anos 70. Por isso mesmo, ao lançar o primeiro livro pela Massao Ohno – Por imenso gosto – já estava acolhida e reconhecida. A razão para resenhas encomiásticas era evidente: a poesia de Persona, apresentada pela multipremiada Olga Savary, era o que havia de mais contemporâneo. Se Manoel de Barros colocou o cenário sertanejo mato-grossense em relevo, se Ricardo Guilherme Dicke criou mitos próprios a partir deste mesmo cenário, Lucinda Nogueira Persona não seguiu a esperada reescritura de ordem geográfica. Muito ao contrário: o sertão da autora tem outro cariz. A aridez, a solidão, a bravura, o combate, a vitória e a derrota, todos valores inerentes à literatura sertaneja, não se encontram na paisagem do cerrado. Lucinda gira o eixo temático para o grotão insondável da intimidade doméstica, onde o comum é metaforizado.

Manoel de Barros transforma a simplicidade, mas o faz com base em estratégias diferentes. O prosaico manoelino é tratado com foros de fantástico e/ou de lúdico, estranhamento típico da literatura contemporânea, que se vale de lunetas e de microscópios em hipérboles figurativas. O sertão-desumano de José Américo de Almeida, o sertão-solidão de Graciliano Ramos, sertão-universal de Guimarães Rosa, é transplantado para a poesia de Barros, grafado com deliberada ingenuidade e delicadeza, também abordado por Dicke nas inúmeras travessias de seus endurecidos personagens. Portanto, Manoel de Barros e Ricardo Guilherme Dicke persistiram na obsessão descritiva e definidora do que seja “o sertão”, retratando as periferias brasileiras ignoradas ou subordinadas, seja pelo viés lúdico, seja pela denúncia social. E Lucinda Persona, o que propõe?

A escritora, mesmo tangenciando na obra a realidade geográfica, mas não faz da paisagem a tônica central da produção literária. Desvencilhada do compromisso recorrente de definir o próprio local, palmilha o enorme sertão interior. Era de se esperar o imediato reconhecimento não só por caminhar fora dos trilhos do cânone mato-grossense, como não se amoldar à forte influência da geração com a qual chegou a conviver de perto. Persona também não cedeu à negociação comum que escritoras faziam com a estética romântica, a fim de angariar aceitação nos círculos tradicionais da cultura mato-grossense. Portanto, a produção da escritora não se volta ao cíclico realismo brasileiro, não comunga do imaginário da terra, não se filia nem mesmo às pautas políticas da própria geração.

As referências de Lucinda Persona provam que a escritora mira alto. A citação de Sophia de Mello Breyner Andresen na epígrafe evidencia a inclinação da poética de Persona, somando-se ao prosaico de Drummond e o decadentismo de Ferreira Gullar. Se Andresen usa o mar como estratégia para tratar da solidão, se Drummond faz da memória e do quotidiano a matéria-prima para cantar a realidade brasileira, se Gullar fixa obsessivamente as frutas apodrecidas como sinal de decadência corporal, política e social, Lucinda Persona vai buscar na biologia recursos para sua expressão singular. São conjuntos temáticos que envolvem (1) vegetais que se transformam em comida, (2) animais que emprestam suas qualidades aos humanos e (3) a intimidade e o quotidiano doméstico, este último viés muito ao sabor da poética de Manoel Bandeira e de Clarice Lispector.

O universo imaginário de Lucinda Persona é, quase sempre, dedicado à ausência. O desproposital passar das horas, a interminável sucessão de poentes, a atomização existencial perdida na faina diária, a reiterada solidão-a-dois plasmada na casa vazia, no silêncio das refeições, no despertar preguiçoso e no adormecer emudecido, todo o conjunto da obra de Persona almeja capturar o tempo e encontrar nele uma motivação, propósito frustrado pelo abismo de ausência. Esse hiato provoca a transformação física expressada no corpo, nas mãos e, sobretudo, no jogo de espelhos que se faz recorrente nos livros da escritora. A ausência não significa necessariamente solidão. Evidencia-se, inclusive, na dedicação integral ao companheiro a entrega ao passar do tempo, ritual em que, juntos, vão contabilizando a sucessão de instantes inócuos entre goles de chá, colheradas de sopa, pedaços de pão. No máximo, o que se vê em Persona é um vazio diferente das convenções literárias, uma solidão amorosa com incondicional resignação.

Devo encerrar essa breve resenha e, para tanto, retorno à obsessão mais notória de Lucinda – a abordagem biológica como veículo metafórico. Entre hortaliças e frutas, ovos mexidos e sopas, o deglutir é o paradigma simbólico da autora. O movimento muscular da deglutição é o mesmo usado para falar ou para soluçar de dor, porque é pela garganta que passam os alimentos, o sabor e o dissabor da vida. Esse “engolir” metaforizado rememora ao mítico Cronos que devorava os próprios filhos, a refletir a força deletéria e inexorável do tempo que a tudo traga, mastiga e consome. A nossa musa desafia e vence o tempo bravamente, em cada poema, em cada livro. Vencer o tempo é, no fundo, entregar-se a ele. Por isso mesmo, não é coincidência o fato da escritora ter iniciado a carreira com “Contratempo” e chegar agora com “O passo do instante”. A maturidade é o preço e o prêmio de Lucinda Persona.

Eduardo Mahon é escritor e estudioso de literatura.

Fonte: A coleção de instantes de Lucinda Persona